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Transformação digital na saúde: o estado atual na América Latina
Saúde Digital

Transformação digital na saúde: o estado atual na América Latina

Davix·28 de setembro de 2025·6 min
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A transformação digital deixou de ser uma promessa distante para o setor de saúde na América Latina. Hoje, hospitais, clínicas e redes de atendimento de toda a região enfrentam uma pergunta inevitável: como integrar a tecnologia para melhorar o atendimento ao paciente sem perder de vista as realidades locais? Neste artigo, analisamos onde a região se encontra, quais obstáculos persistem e quais são as oportunidades que marcarão a próxima década.

O ponto de partida: onde está a América Latina hoje?

Antes da pandemia de COVID-19, a digitalização da saúde na região avançava de forma desigual. O confinamento global acelerou processos que, em condições normais, teriam levado anos. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a adoção da telemedicina na América Latina cresceu mais de 300% entre 2019 e 2021 e, desde então, tem mantido uma tendência de alta sustentada.

No entanto, o panorama não é uniforme:

  • Brasil, Chile e Colômbia lideram a implementação de prontuários eletrônicos e plataformas de telessaúde no nível público.
  • México e Argentina contam com ecossistemas de startups de saúde digital em rápido crescimento, embora a cobertura institucional varie entre estados e províncias.
  • América Central e Caribe apresentam as maiores defasagens em infraestrutura tecnológica hospitalar, com percentuais de digitalização que em alguns países não superam 20% dos centros de atenção primária.

Um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indica que apenas 40% dos países da região possuem uma estratégia nacional de saúde digital plenamente implementada. Isso revela que, apesar dos avanços, há um longo caminho a percorrer.

Os grandes desafios que freiam a transformação

Digitalizar um hospital não é simplesmente instalar computadores. A complexidade do setor de saúde multiplica os desafios:

  • Infraestrutura limitada: Muitas áreas rurais carecem de conectividade estável. Sem internet confiável, as soluções em nuvem ou a telemedicina não podem funcionar.
  • Orçamentos restritos: Os sistemas públicos de saúde da região destinam entre 3% e 6% do PIB ao gasto com saúde, muito abaixo da média da OCDE. O investimento em tecnologia compete com necessidades urgentes como insumos médicos e pessoal.
  • Resistência à mudança e falta de capacitação: Equipes médicas e administrativas que trabalharam décadas com processos em papel precisam de acompanhamento e formação para adotar novas ferramentas sem que a curva de aprendizado afete o atendimento.
  • Regulamentação fragmentada: Cada país tem marcos normativos distintos sobre proteção de dados de saúde, receitas eletrônicas e interoperabilidade. A falta de padrões regionais dificulta escalar soluções de um mercado para outro.
  • Interoperabilidade entre sistemas: Hospitais que já possuem software legado enfrentam o problema de que seus sistemas não se comunicam entre si, gerando silos de informação que afetam a continuidade do cuidado.

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As oportunidades que estão redefinindo o setor

Apesar dos desafios, a América Latina possui vantagens únicas para dar um salto tecnológico. Várias tendências estão abrindo portas:

Computação em nuvem

As soluções cloud-native permitem que hospitais e clínicas adotem tecnologia de última geração sem grandes investimentos iniciais em servidores físicos. Isso democratiza o acesso a ferramentas que antes só estavam ao alcance de grandes instituições.

Penetração móvel

A região supera 70% de penetração de smartphones, o que torna o celular um canal viável para agendamento de consultas, acompanhamento de pacientes crônicos e comunicação entre equipes de saúde.

Inteligência artificial e análise de dados

De algoritmos que priorizam filas de espera a modelos preditivos que identificam surtos epidemiológicos, a IA aplicada à saúde está deixando de ser experimental. Países como o Brasil já utilizam modelos de machine learning em redes públicas para otimizar a alocação de leitos.

Padrões de interoperabilidade

A adoção crescente do HL7 FHIR como padrão de troca de dados clínicos está facilitando que diferentes sistemas falem a mesma língua — um requisito indispensável para construir ecossistemas de saúde conectados.

Casos de sucesso que inspiram

Vários projetos na região demonstram que a transformação é possível quando se combinam vontade política, investimento inteligente e tecnologia adequada:

  • Chile: O programa Hospital Digital do Ministério da Saúde realizou mais de 4 milhões de atendimentos remotos desde seu lançamento, reduzindo significativamente os tempos de espera em especialidades críticas.
  • Colômbia: A implementação do Prontuário Eletrônico Interoperável conectou centenas de prestadores, permitindo que um paciente atendido em Bogotá tenha seu histórico disponível em uma clínica de Medellín.
  • Brasil: O sistema ConecteSUS integra dados de vacinação, resultados de exames e dispensação de medicamentos em nível federal, alcançando mais de 150 milhões de cidadãos.
  • México: Startups que operam no ecossistema de saúde digital da Cidade do México estão desenvolvendo soluções de agendamento inteligente e gestão de fluxo de pacientes que reduzem os tempos de espera em emergências em até 35%.

Como será o futuro?

As projeções indicam que o investimento em saúde digital na América Latina continuará crescendo a taxas de dois dígitos anuais durante os próximos cinco anos. Algumas tendências-chave que veremos se consolidar:

  • Prontuários clínicos unificados que acompanhem o paciente ao longo de toda a sua vida, independentemente de onde se atenda.
  • Automação de processos administrativos (faturamento, autorizações, gestão de estoques) que libere tempo da equipe para focar no atendimento clínico.
  • Medicina preventiva baseada em dados, onde as análises preditivas permitam intervir antes que uma condição se agrave.
  • Ecossistemas abertos e interoperáveis onde hospitais, operadoras de saúde, farmácias e laboratórios compartilhem informações de forma segura e em tempo real.

Conclusão

A América Latina se encontra em um momento decisivo para seu sistema de saúde. Os desafios são reais, mas as ferramentas para superá-los já existem. A chave está em adotar soluções que se adaptem à realidade de cada instituição, que sejam escaláveis e que coloquem o paciente no centro.

Na Davix, trabalhamos exatamente nessa direção: ajudamos hospitais e clínicas da região a digitalizar suas operações com uma plataforma projetada para as necessidades reais do setor de saúde latino-americano. Da gestão de agendas e fluxo de pacientes à integração com sistemas existentes, nosso objetivo é que a tecnologia seja uma aliada — e não um obstáculo — na entrega de melhor atendimento médico.

A transformação digital na saúde não é uma questão de se vai acontecer, mas de quão preparados estaremos para liderá-la.

Revisado por Dr. Carlos Ramírez, Diretor Médico
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