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Brasil, Colômbia, México e Chile: o estado da saúde digital em 2026
Saúde Digital

Brasil, Colômbia, México e Chile: o estado da saúde digital em 2026

Davix·19 de março de 2026·10 min
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O relatório FIME 2019 dedicava seções individuais aos principais mercados de saúde digital na América Latina. Brasil, Colômbia, México e Chile apareciam como as economias com maior potencial de transformação — cada uma com suas particularidades, pontos fortes e obstáculos. Sete anos depois, o que se cumpriu daquelas projeções? Onde está cada país e que oportunidades oferece para a inovação em saúde digital?

Este artigo apresenta uma análise atualizada, país por país, do estado da saúde digital nas quatro economias-chave da LATAM.

Brasil: o gigante healthtech da região

O que a FIME 2019 dizia

O relatório indicava que 68% da população brasileira tinha acesso a alguma forma de saúde digital, cifra que já era a mais alta da região. O Brasil contava com o programa Telessaúde Brasil Redes e avançava na digitalização do SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, a fragmentação entre estados, a desigualdade de infraestrutura e a complexidade regulatória da ANVISA eram os principais freios.

A realidade em 2026

O Brasil se consolidou como o maior mercado healthtech da América Latina, representando mais de 40% do volume total da região. Os avanços mais significativos incluem:

ConecteSUS e a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS): O programa ConecteSUS, que começou como uma iniciativa de vacinação digital durante a pandemia, evoluiu até se tornar a plataforma nacional de dados de saúde. Hoje alcança mais de 150 milhões de brasileiros e centraliza informações de vacinação, resultados de exames, receitas digitais e resumos de atendimento. A RNDS estabelece o padrão de interoperabilidade baseado em HL7 FHIR para todo o sistema de saúde.

Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) obrigatório: O Brasil avançou rumo à obrigatoriedade do prontuário eletrônico em todas as unidades de saúde do SUS. Embora a implementação varie entre municípios — os do sudeste e sul apresentam coberturas superiores a 80%, enquanto norte e nordeste giram em torno de 50% — a direção é irreversível.

Regulação da ANVISA para Software como Dispositivo Médico (SaMD): A ANVISA estabeleceu um marco regulatório claro para software médico, incluindo algoritmos de inteligência artificial para diagnóstico. Isso proporcionou segurança jurídica às healthtechs e atraiu investimento internacional.

Ecossistema de startups: O Brasil conta com mais de 1.000 healthtechs ativas, desde plataformas de telemedicina até soluções de IA para diagnóstico, passando por marketplaces de insumos médicos e ferramentas de gestão hospitalar. São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte se consolidaram como os principais hubs.

Oportunidade para o Davix

O mercado brasileiro demanda soluções que estejam em conformidade com os padrões da RNDS e sejam compatíveis com HL7 FHIR. A obrigatoriedade do PEP abre uma janela de oportunidade massiva para plataformas cloud-native que facilitem a transição digital de milhares de unidades de saúde que ainda operam com papel ou sistemas legados.

Colômbia: inovação universitária e regulação pioneira

O que a FIME 2019 dizia

O relatório destacava o papel das universidades colombianas como motores de inovação em saúde digital. A Universidad de los Andes, a Universidad Nacional e a Pontificia Universidad Javeriana lideravam pesquisas em telemedicina, IA aplicada à saúde e sistemas de informação hospitalar. No entanto, a adoção institucional era baixa e a regulação estava em seus estágios iniciais.

A realidade em 2026

A Colômbia deu passos regulatórios que a posicionam como referência regional:

Lei 2015 de 2020 — Prontuário Eletrônico Interoperável: Esta lei, que entrou em vigor progressivamente, estabelece que todas as instituições prestadoras de saúde devem adotar o prontuário eletrônico com padrões de interoperabilidade. O objetivo é que qualquer médico autorizado possa acessar o histórico completo de um paciente, independentemente de onde ele tenha sido atendido anteriormente. A implementação avançou significativamente em Bogotá, Medellín, Cali e Barranquilla, com desafios persistentes em municípios rurais.

Resolução 3100 e o marco de telemedicina: A Colômbia consolidou seu marco regulatório para telemedicina, estabelecendo condições de habilitação, padrões técnicos e requisitos de qualidade para serviços de telessaúde. Modalidades como teleconsulta, teleinterconsulta, telemonitoramento e telerradiologia agora têm definições legais claras.

E-commerce de saúde: Um fenômeno particular da Colômbia foi o crescimento de plataformas de comércio eletrônico especializadas em saúde — desde farmácias digitais até marketplaces de serviços médicos. Isso democratizou o acesso a medicamentos e serviços em áreas onde a oferta presencial era limitada.

Universidades como laboratório: As universidades colombianas mantêm seu papel de inovação. Programas de telepatologia conectam especialistas em Bogotá com hospitais em departamentos como Chocó, Vaupés e Guainía, onde a presença de patologistas é praticamente inexistente.

Oportunidade para o Davix

A implementação da Lei 2015 gera demanda por plataformas de prontuário eletrônico que estejam em conformidade com os padrões colombianos de interoperabilidade. As instituições que buscam conformidade regulatória precisam de soluções comprovadas, cloud-native e que se integrem com os sistemas existentes. Para mais detalhes sobre a conformidade regulatória em saúde digital na LATAM, é fundamental entender as particularidades de cada país.

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México: o setor privado lidera, o público segue

O que a FIME 2019 dizia

O relatório FIME descrevia o México como um país onde a telemedicina era utilizada para ampliar o alcance aos pacientes em áreas rurais e indígenas. O setor privado já demonstrava dinamismo com startups de teleconsulta, mas o sistema público de saúde (IMSS, ISSSTE, Secretaría de Salud) avançava lentamente na digitalização.

A realidade em 2026

O México apresenta um panorama dual que reflete as desigualdades estruturais do país:

Setor privado inovador: O ecossistema healthtech mexicano cresceu exponencialmente. Plataformas de teleconsulta atendem milhões de consultas anuais. Startups de IA para diagnóstico, gestão hospitalar digital e farmácia eletrônica atraíram investimento significativo. Monterrey, Cidade do México e Guadalajara concentram a maior atividade.

COFEPRIS e a regulação de software médico: A Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários (COFEPRIS) avançou na regulação de dispositivos médicos digitais e software como dispositivo médico. Embora o marco ainda seja menos maduro que o do Brasil ou da Colômbia, a direção é clara rumo a uma regulação específica e detalhada.

Prontuário Clínico Eletrônico: A NOM-024-SSA3-2012 estabelece o marco para o prontuário clínico eletrônico no México. No entanto, a adoção no setor público tem sido desigual — enquanto hospitais de terceiro nível na Cidade do México operam com sistemas digitais, centros de saúde rurais em Chiapas, Oaxaca ou Guerrero ainda trabalham predominantemente com papel.

Oportunidade demográfica: Com mais de 130 milhões de habitantes, o México representa um mercado de saúde digital com potencial enorme. A crescente classe média, a expansão dos seguros de saúde privados e a pressão por eficiência no setor público criam condições favoráveis para a adoção tecnológica.

Oportunidade para o Davix

O México oferece um mercado de dupla via: o setor privado busca soluções sofisticadas que melhorem a experiência do paciente e a eficiência operacional, enquanto o setor público necessita de plataformas que funcionem em condições variáveis de infraestrutura e se adaptem às normativas da NOM-024.

Chile: o líder silencioso da saúde digital

O que a FIME 2019 dizia

O relatório citava Soledad Munoz Lopez, CIO de uma instituição chilena, destacando a importância das APIs para a interoperabilidade em saúde. O Chile já demonstrava uma visão clara de que a transformação digital não se tratava apenas de digitalizar processos existentes, mas de redesenhá-los com a tecnologia como habilitadora.

A realidade em 2026

O Chile demonstrou que uma estratégia consistente, embora menos ruidosa que a de seus vizinhos, produz resultados sólidos:

Hospital Digital: O programa Hospital Digital do Ministério da Saúde se tornou o caso de sucesso mais citado de telemedicina pública na LATAM. Com mais de 4 milhões de consultas remotas realizadas desde sua criação, demonstrou que a telemedicina funciona em escala em um sistema público. As especialidades com maior demanda incluem dermatologia, oftalmologia, saúde mental e cardiologia.

Liderança na adoção de PEP: O Chile lidera a região na adoção de prontuários eletrônicos no setor público. A Rede Assistencial do FONASA avançou significativamente na digitalização da atenção primária, com a maioria dos CESFAM (Centros de Saúde Familiar) operando com sistemas digitais.

Estratégia de interoperabilidade baseada em APIs: A visão de APIs que Soledad Munoz Lopez articulava em 2019 se materializou. O Chile adotou padrões de interoperabilidade baseados em HL7 FHIR e desenvolveu uma estratégia nacional que permite que diferentes sistemas de saúde compartilhem dados de maneira padronizada. Isso é fundamental para que a informação do paciente flua entre a atenção primária, os hospitais e os especialistas.

Regulação de telemedicina permanente: O Chile passou de normas de emergência a uma regulação permanente que cobre teleconsulta, telemonitoramento, telereabilitação e telessaúde mental. A licença médica eletrônica, implementada durante a pandemia, tornou-se padrão permanente.

Inovação em saúde mental digital: Um diferencial chileno tem sido o avanço em saúde mental digital. Plataformas de telepsicologia e telepsiquiatria proliferaram, respondendo a uma crise de saúde mental que a pandemia agravou e que a sociedade chilena abordou com relativa abertura.

Oportunidade para o Davix

O Chile oferece um mercado maduro onde a adoção tecnológica é alta e a demanda se concentra em soluções que se integrem com os padrões de interoperabilidade existentes. A oportunidade está em oferecer plataformas que complementem o ecossistema digital chileno com capacidades avançadas de PACS, RIS e telerradiologia, áreas onde ainda há espaço para crescimento.

Análise comparativa: quem lidera o quê?

DimensãoBrasilColômbiaMéxicoChile
Tamanho do mercado healthtechLíder absoluto3° na LATAM2° na LATAM4° na LATAM
Regulação de PEPAvançada (PEP obrigatório)Avançada (Lei 2015)Em desenvolvimento (NOM-024)Avançada (FONASA digital)
Telemedicina reguladaSim (CFM 2.314)Sim (Res. 3100)Parcial (COFEPRIS)Sim (permanente)
InteroperabilidadeRNDS + HL7 FHIREm implementaçãoIncipienteHL7 FHIR adotado
IA em saúde reguladaSim (ANVISA SaMD)Em desenvolvimentoEm desenvolvimentoEm desenvolvimento
Ecossistema de startups1.000+ healthtechs200+ healthtechs300+ healthtechs100+ healthtechs

O que a FIME 2019 não previu

Além da pandemia como catalisador, há desenvolvimentos que nenhum relatório de 2019 poderia antecipar:

  • A velocidade da adoção regulatória: países que em 2019 não tinham regulação de telemedicina hoje possuem marcos completos.
  • A IA generativa: modelos de linguagem que auxiliam na documentação clínica, resumos de prontuário e triagem não existiam conceitualmente em 2019.
  • A consolidação da nuvem: a resistência a colocar dados clínicos na nuvem, onipresente em 2019, praticamente desapareceu.
  • O paciente digital: o paciente latino-americano de 2026 exige acesso digital aos seus resultados, agendamento online e teleconsulta como padrão mínimo.

Para entender como as normativas de prontuário eletrônico evoluem em cada país, é fundamental acompanhar continuamente os marcos regulatórios.

Conclusão: quatro caminhos para o mesmo destino

Brasil, Colômbia, México e Chile avançam rumo à digitalização completa de seus sistemas de saúde, mas cada um no seu ritmo e com seu estilo. O Brasil aposta na escala massiva e na regulação abrangente. A Colômbia combina inovação universitária com regulação progressiva. O México mostra um setor privado que corre mais rápido que o público. O Chile demonstra que a consistência estratégica supera a velocidade.

Para plataformas healthtech como o Davix, isso significa que não existe uma estratégia única para a LATAM — cada mercado exige compreender sua regulação, sua maturidade tecnológica e as necessidades específicas de suas instituições de saúde. O que é universal é a direção: a saúde digital não é o futuro desses quatro países. É o seu presente.

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